Hidroelétricas diferentes

Usina Hidrelétrica Sayano-Shushenskaya na Russia

Usina Hidrelétrica Sayano-Shushenskaya na Russia

Usinas de energia movidas pela passagem de água por turbinas, que ao girarem transformam a energia mecânica da água em queda em energia elétrica para nossos lares. Fantástico, sem combustão como nas usinas à carvão, gás ou outro tipo de combustível, ela não polui, não precisa ser alimentada, é inesgotável, é simplesmente incrível.

Mas o que é preciso para obter essa energia? Primeiro um rio, de preferência um que corra por vales profundos, em seguida constroi-se uma muralha imensa, mais alta que muitos predios para ter uma boa diferença de altura para acumular energia potencial e mais espessa que quarteirões inteiros de um bairro de São Paulo para ter resistência física de segurar toda essa energia potencial. Dentro desse enorme muro de concreto colocamos os mecanismos e as turbinas para obtenção de energia elétrica, ligados aos canais de água que irão descer por ali para girar toda essa máquina e fazer eletricidade.

Turbinas da usina Hidrelétrica Sayano-Shushenskaya na Russia

Turbinas da usina Hidrelétrica Sayano-Shushenskaya na Russia

Que obra maravilhosa da engenharia, grandiosa e imponente, mas vamos pensar isso em outra perspectiva. A construção dessas usinas também causam um impacto ambiental avassalador, ao criar esses enormes muros de concreto, a água que ali fica represada vai cobrir áreas de terra, muitas vezes fértil ou regiões onde moram pessoas, Vilas e cidades já foram tomadas por represas no passado e mais uma vez isso vai acontecer no Brasil em Belo Monte.

Mas alguém já pensou nisso, temos energia das águas desde que a terra existe, as formas de utilizá-la ainda estão sendo descobertas, de fato alguém pensou em um sistema tão bom e não poluente quanto uma represa com sua usina hidroelétrica, mas sua fonte não são rios e sim o mar.

Ilustração do parque de ondas de Aguçadoura

Ilustração do parque de ondas de Aguçadoura

O primeiro país produtor de energia desse tipo foi Portugal em 2008, no parque de ondas de Aguçadoura, a 3 milhas náuticas da cidade de Póvoa,  foi a primeira fazenda de energia elétrica pelas ondas. Um equipamento semelhante à uma serpente gigantesca feita pela empresa inglesa Pelamis, flutua no oceano atada à um ponto fixo no fundo do mar por cabos. A energia mecânica gerada pelo movimento das articulações do corpo da “serpente” é transformado em energia elétrica e é transferido para acumuladores em terra através de cabos elétricos.

oyster wave power

Oyster Wave Power

Além desse sistema, no mesmo conceito temos o Oyster Wave Power Device da Aqualarine Power, instalado nas Ilhas Orkney no norte da Escócia (ainda em fase de testes), que diferentemente do Pelamis, obtem sua energia pelo movimento das ondas em pequena profundidade, pois o equipamento é fixado no solo submarino.

Há a opção de usina em terra, ainda em desenvolvimento pela Voith em que a turbina fica na encosta, onde as ondas estouram nas pedras e um duto conduz a energia das ondas para as turbinas geradoras de enerdia elétrica. Neste mesmo método existe também o Ocean Power.

Tidal reef design by Evans Engineering

Tidal reef design by Evans Engineering

Além da energia das ondas temos ainda a energia das marés, mais constante do que as ondas, que pode ser usada para obter energia por barragens.

Neste sistema a água do mar gira as turbinas enquanto força a passagem pelo canal por baixo da barragem e o fará novamente quando a maré estiver esvaziando. Já existe uma usina em funcionamento em St Malo, no sul da França, que abastece uma cidade com 223000 habitantes.

Existem usinas por maré sem barragens também, como a Davidson-Hill Venturi Turbine, a Turbina Maremotriz da Open Hydro, a Swan Turbines, e muitos outros que estão desenvolvendo e tecnologia de energia das marés e ondas.

Depois de conhecer um pouco sobre isso soa tão ultrapassado e sem propósito represar um rio que eu me pergunto se precisamos construir mais represas para termos usinas hidroelétricas se já temos o mar (hidro) e a tecnologia para eletricidade.

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Volta ao Mundo com energia solar

MS Tûranor PlanetSolar

MS Tûranor PlanetSolar

Este mês o MS Tûranor PlanetSolar concluiu a primeira volta ao mundo navegando locomovido apenas por energia solar em 584 dias, 23 horas e 31 minutos, chegando  em Mônaco no dia 04 de maio de 2012 de onde partiram no dia 27 de setembro de 2010.

A embarcação catamarã de aparência extravagante tem 537 m2 de painéis fotovoltáicos que alimentam seis blocos de baterias de lítium-ion, usa motores elétricos alimentados pelas baterias e pesa 95 toneladas.

Singradura PlanetSolarPelos 59882km que percorreu, fez diversas paradas pelo mundo: Miami, Cancun, Cartagena, Panamá, Galápagos, Ilhas Marquesas, Papete, Tonga, Noumea, Brisbane, Cairns, Manila, Hong Kong, Singapura, Sri Lanka, Mumbai, Abu Dhabi, Doha e Mônaco. Em cada parada foram feitas palestras sobre a importância da energia solar e o barco pôde ser visitado por escolas de cada região.

Um sopro de vida para o planeta, estamos precisando.

 

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Verão embarcado

O mar sempre gerou um fascínio peculiar nas pessoas, umas tem muito medo outras não, mas mesmo temendo todos querem estar próximo do mar.

Desde criança meus verões sempre foram as oportunidade de muitas e boas velejadas em diversos modelos de veleiro e por minha experiência descobri diferentes formas de me divertir com diferentes barcos. Os veleiros pequenos tem um estilo de velejada diferente da que usamos nos grandes, mas a idéia básica é a mesma, aproveitar bem o vento, colocar as velas na posição ideal, etc…

Em veleiros pequenos a velejada como devem imaginar é mais cansativa, isso porque o peso do nosso corpo faz muito mais diferença no contrapeso e por isso temos que trabalhar muito mais para trazer o barco de volta quando o vento assopra mais forte, o que nos veleiros grandes se faz de outras formas, que podem precisar de esforço físico ou não, ai só dependeria do nível de equipamento e automação embarcada (catracas elétricas, enroladores de velas etc…).

Na vela de oceano tudo é superlativo, as marolas são da altura de paredes e por vezes de casas inteiras, o vento não tem barreiras, são forças incriveis que fazem a harmonia do barco com o mar tão impressionante, um equipamento que para o ambiente é tão insignificante e ao mesmo tempo este veículo consegue viver ali naquela imensidão em perfeita sincronia, essa para mim é a maior beleza da vela de oceano.

Na vela de veleiros monotipo, esses pequenos como laser, holder, magnun3.9, hobbie cat, têm a adrenalina de outra forma, é como estar brincando com o vento e com o mar, tudo acontece muito rápido se você bobear em um vento forte o barco vira imediatamente e você cai na água, desvira o barco e começa tudo de novo, tenta chegar mais rápido a aquele ponto determinado, pela água que está a centímetros de você e por vezes vem um borrifo por seu corpo sente-se a velocidade do barco e rapidez das manobras. É um prazer diferente da velejada de oceano mas nem por isso menor ou maior.

Outro grande prazer da vela é poder velejar com amigos, desfrutar o mar dessas diferentes formas com pessoas queridas.

Para curtir em até seis pessoas em veleiro de oceano é bem fácil de conseguir um barco que abrigue essa turma, ai só depende do conforto que se pretende. Um veleiro de 32 pés em geral (dependendo do projeto) já é capaz de abrigar essa tripulação, mas se a idéia é ter espaço, pule para um de 40 pés.

Se a intenção é velejar por algumas horas em um veleiro pequeno, alguns modelos podem acomodar seis pessoas, como o open 590 ou o lightning, mas em geral veleiros desse porte acomodam de uma a quatro pessoas, sendo esses em maior variedade, como o flash 165, Emi, Day Sailer, entre outros.

Existem muito mais opções na vela, Kitesurf, Windsurf, o importante é descobrir qual te da o maior prazer e aproveitar com consciência, o mar é nossa maior riqueza, vamos aproveitar sem estragar.

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TÛRANOR PlanetSolar

Tûranor Planetsolar em Cancun

Tûranor Planetsolar em Cancun

O maior navio movido a energia solar no mundo é um catamarã coberto por painéis fotovoltaicos, sendo alguns deles móveis, construído por Knierim Yacht Club, em Kiel, na Alemanha em 14 meses, medindo 31 metros de comprimento que se estende até 35 com o painéis abertos, 6,1 metros de altura, 95 toneladas de pêso e 15 metros de largura que chega a 23 metros com painéis estendidos.

planetsolar com paineis abertos

Tûranor planetsolar com os painéis abertos

O multicascos será a casa de seis marinheiros durante a tentativa de volta ao mundo, e pode acomodar até quarenta pessoas, que navegam apenas com a energia encontrada na luz, absorvida por 537 m2 de módulos fotovoltaicos (painéis solares) ao sol.

Em 2011, a primeira viagem ao redor do mundo alimentada por energia solar será realizada com escalas ao longo do Equador, onde a quantidade máxima de luz solar está disponível. A tripulação do PlanetSolar cruzará o Oceano Atlântico, o Canal do Panamá, o Oceano Pacífico, Oceano Índico e, finalmente, o Canal de Suez, antes de retornar para o Mediterrâneo completando uma volta completa ao planeta.

Sala de comando

As escalas serão organizadas em cidades portuárias de grande porte (Miami, Cancun, Brisbane, Hong Kong, Xangai, Singapura, Abu Dhabi, etc), para grande visibilidade e vai ser usado como uma plataforma promocional para as energias renováveis​​, especialmente solar. O projeto pretende mostrar que não devemos desperdiçar os recursos naturais que temos à nossa disposição, demonstrar o potencial das energias renováveis e mostrar que já temos a tecnologia necessária para a sustentabilidade.

Hoje o Barco está em Vüng Táo, no sul do Vietnan e é possível acompanhar sua posição no globo pelo site www.planetsolar.org, onde também há dados mais detalhados sobre o incrível projeto, acompanhem essa tripulação e sua bonita missão.

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O Maltese Falcon (Falcão Maltês)

Falcão Maltês

Falcão Maltês

Duas lanchas de 10 metros, 4 veleiros laser, jetski, entre outros brinquedos aquáticos, tudo isso a bordo de um incrível veleiro construído com muita tecnologia e muito luxo em três decks chegando a 88 metros de comprimento e três mastros com 58 metros de altura e 2400 metros quadrados de vela.

Números no mínimo impressionantes que combinam em grandeza ao valor que se cobra para o charter, sim ele está disponível para aluguel ao preço de 600 mil dólares por semana!

É caro mas é claro que o preço tem suas razões, o enorme veleiro tem todas as acomodações em camas queen size, sendo que as suítes VIP tem banheiros dela e dele, todo interior é climatizado e possui internet por satélite com wireless no barco todo.

painel de controle Falcão Maltês

Painel de controle do Falcão Maltês

Sua ponte de comando mais parece a de uma nave estelar Enterprise do filme Star Trek, todas as funções, incluindo as velas, são contorladas por computador.

Os mastros são rotativos e autoportantes, ou seja não precisam de cabos de aço para sua fixação e ao redor da base do matro, na estrutura de sustentação tem pisos de vidro nos três pavimentos, levando luz natural aos decks inferiores pelo centro do veleiro, além das janelas laterais. Também ao redor do piso de vidro e do mastro estão as escadas que naturalmente são circulares, porém bem espaçosas.

Todo o barco pode ser comandado por apenas uma pessoa devido à toda sua tecnologia aplicada, até mesmo as velas podem ser recolhidas diretamente da ponte de comando, tudo é eletrônico e contectado à um computador central controlado pela ponte.

O Maltese Falcon é o maior veleiro de charter do mundo e já atingiu a incrível marca de velajar a 19,5 nós (36km/h), muito rápido para um veleiro de cruzeiro, essa velocidade é rara mesmo para veleiros de competição. Isso se deve ao revolucionário sistema de velas DynaRig, que deve sua origem ao trabalho feito na década de sessenta por Wilhelm Prölss, que consiste efetivamente em plataformas quadradas retráteis que se unem formando uma única vela , o mastro é autônomo e as retrancas estão ligadas rigidamente ao mastro, neste caso cada retranca tem até seis metros com curvatura de 12%.

Uma máquina incrível com novas tecnologias que talvez vejamos por ai em breve em pequenos veleiro de cruzeiro.

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Plastiki

Um catamarã construído em 2010 por David de Rothschild com lixo e material reciclado para atravessar o oceano Pacífico, saindo de São Francisco no dia 20 de março e chegando em Sidney no dia 26 de julho de 2010, depois de percrrer a distância de 8395 milhas náuticas timoneado por Jo Royle.

Seu casco, pasmem, é composto por 12.500 garrafas pet, toda energia usada no barco vem de fontes renováveis, ou adiquirida por painéis solares, ou por turbinas alojadas nos cascos, ou por bicicletas fixadas sobre dínamos, o barco não tem motor à combustão, uma maneira de chamar a atenção para o descarte de lixo nos mares.

A maior inspiração do projeto foi o combate ao que se chama de plastic soup, um cinturão de plasticos descartados no mar que flutuam por anos e acabou se tornando maior que os EUA. A equipe era formada por 10 pessoas sendo apenas seis a bordo, revesando com os quatro outros da equipe, entre fotógrafos, navegadores e mergulhadores levaram o veleiro por seu trajeto através do Pacífico.

Algums números interessantes do projeto:

120 mil horas de trabalho;

7807 novos fans no facebook;

10.400 fotos;

879 tweets do barco;

E tem muito mais no site.

O feito foi registrado pelo NatGeo e no final da viagem o Plaskiti foi doado ao Museu Marítimo Nacional de Sidney, em Darling Harbor.

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L’hydroptère

Um veleiro diferente, projetado em três cascos sendo um principal e mais dois flutuadores, que se apoiam em hidrofólios quando está em velocidade,  ficando acima da água voando baixo, assim é o L’hydroptère.

Projetado pelo francês Alain Thébault para quebrar recordes, começou sua história quebrando dois recordes de velocidade retificados pelo World Sailing Speed Record Council em abril de 2007.

O detentor do recorde depois disso foi o francês Alexandre Caizergues que chegou a 50,57 nós (93,65 km/h) com um kite surf. Seu feito durou até 4 de setembro de 2009, quando o L’hydroptère manteve 51,36 nós (95,12km/h) em 500 metros percorridos, com pico de 55,5 nós (102,8 km/h) e um vento de 28 nós, batendo o recorde do kitesurfista.

Com 18,28 metros de comprimento no casco principal, 6,5 metros cada flutuador, 24 de largura total, 6,5 toneladas, área vélica de 195 m2, sendo 135 m2 a vela mestra e 60 m2 a genoa. Seus  hydrofólios de 3 mteros  mantêm os cascos do barco a 2 metros acima da água proporcionando mínimo atrito e levando praticamente a zero o impacto das ondas.

O segredo da alta velocidade é o atrito muito baixo entre o barco e a água, possibilitando que a velocidade do veleiro ultrapasse a do vento.

A quebra do recorde foi comandada pelo skypper que projetou o brinquedo Alain Thébault  e a empresa produziu também o HydroptéreCH, projetodo para travessias e lançado no final de 2010, foi na verdade um laboratório para criar o modelo maior Hydroptère maxi, que irá ao mar em 2014 para dar a volta ao mundo em apenas 40 dias.

O Maxi vai medir 30 metros de comprimento por 32 de largura total, nos moldes aproximados do L’hydroptère com três cascos e hidrofólios.

assista o vídeo do recorde

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A PRAIA DO BONETE

Um lugar lindo, cheio de vida, beleza e história.

Eu estive no Bonete faz aproximadamente 18 anos, quando meu tio resolveu juntar a família a bordo do veleiro dele, um mod 40 pés chamado Domani e fomos todos para a praia que recebeu há muitos anos o nome da nossa família, hoje alterado pelo costume local.

Desde que estive la de barco, acompanhei por ocasiões relatos de pessoas que iam a pé, de jipe (vi uma vez na televisão), em canoas dos pescadores e habitantes da praia e sempre pensei quando eu voltaria.

Bem, foi desta vez que voltei e foi uma grata surpresa, eu me lembrava do rio do lado direito da praia, das ondas fortes que dificultavam o desembarque, mas não tinha conhecido a comunidade naquela ocasião e mesmo se o tivesse feito, não teria a capacidade de entender aquela vida como hoje eu consigo ver.

Cheguei ao anoitecer no Bonete, comecei a trilha as 16:00, depois de sair da obra, pagar contas no banco em São Sebastião, almoçar, passar a balsa e percorrer os vinte e poucos quilômetros de estrada, parte asfaltada e parte em terra, porém toda ela em ótimo estado, cheguei ao início da trilha, que na verdade seria uma continuação da estrada mas a partir dali o acesso é restrito. Nesse trecho há uma porteira de madeira e logo ao lado há uma propriedade que cobra R$15,00 para estacionar o carro, onde eu estacionei.

Fiquei surpreso ao saber que eu fizera um tempo considerado excelente, dado que eu carregava cerca de 18 quilos nas costas, a trilha toda foi percorrida em quatro horas.

Quando cheguei fiquei encantado com o tamanho da faixa de areia e a beleza do anoitecer alaranjado, mas um pouco preocupado com muitos cães de tamanho considerável na praia, que latiam de longe e eu não via donos deles nem ninguém que pudesse me socorrer em caso de ataque, parecia um deserto maravilhoso.

Pensei “e agora?” Já era noite, eu sempre tive cachorro e sei do eles são capazes, então fiquei com meus bastões de caminhada a postos e fui atravessando a areia próximo as árvores, longe da água. Quase no meio da praia eu vi uma lanterna, era um rapaz para quem os cães latiam, mas ele não deu bola e tudo bem, isso me deu segurança para ignorar os latidos e me aproximei dele perguntando por um camping, ele simpaticamente e um pouco desconfiado me indicou um caminho parecendo ser muito óbvio onde ir e eu segui o que ele disse, chegando ao Camping do Sr. Eugênio.

Muito cansado e querendo comer e dormir, afinal eu tinha acelerado o passo para chegar ao destino antes de escurecer, comecei os preparativos todos na vista atenta do neto do Sr. Eugênio, o Erik. Aos seis anos de idade ele mostrava uma curiosidade imensa em tudo que eu fazia e eu alimentei essa curiosidade lhe dando atenção às suas perguntas, ele se encantou com minha barraca e meu fogareiro de algumas gramas desmontável, queria a todo custo me ajudar e mexer no equipamento como se estive vendo algo de tecnologia alienígena.

Uma criança incrível, ao mesmo tempo em que eu satisfazia sua curiosidade ele satisfazia a minha sobre o local e a vida lá, as crianças falam sem pudores ou limites e tudo que eu perguntava ele respondia sem pestanejar.

Eu fiquei imaginando cada coisa que ele me dizia, como seria a escola montada pela comunidade local, como fora a reunião e decisão de fazer reservatórios de água na montanha para coletar e tratar água dos rios para não ficarem sem água nas chuvas, ao mesmo tempo eu ouvia os geradores de energia sendo ligados e desligados, algumas pessoas andando nas vielas no escuro em total segurança e se cumprimentando como bons amigos, coisa que é estranho para alguém que vem da capital, onde escuro significa perigo.

Denórea e Eugênio

A comunidade local é praticamente uma vila independente do mundo, perdida no tempo vivendo na velocidade da vida sem impor necessidades nem objetivos, apenas vivendo.

O Sr, Eugênio veio conversar comigo na manhã seguinte, e o papo se estendeu por mais de uma hora, sua esposa a Sra. Denórea se juntou ao papo e fiquei surpreso em saber que é de conhecimento deles meu ancestral pirata que deu nome à praia

Roberto Bonetti, ele se escondia ali para saquear a rota Rio-Santos, claro que naquela época ninguém vivia ali, o que nos fez estimar a idade daquela comunidade. O Sr, Eugênio me disse que sua mãe que faleceu com 100 anos nasceu ali e pelas minhas contas meu ancestral seria cinco gerações acima de meu avô, que teria hoje 91 anos, então se fizermos uma média de 25 anos por geração (imaginando que cada ancestral teria filho com 25 anos) multiplicada por cinco, 125 mais os 90 de meu avô 215, arredondamos para 200 anos no máximo, mas estimamos próximo de 150 anos.

Foi engraçado fazermos toda essa conta e em seguida ele me disse “essa praia é sua então?” Eu ri e disse que de maneira alguma, mesmo o Roberto Bonetti só estava ali para se esconder, que não era seu lar.

Já o Sr. Eugênio era outra história interessantíssima, trabalhou em barcos de pesca por 12 anos, passando semanas a bordo pela costa entre Santos e Rio de Janeiro, ironicamente a rota que era assaltada pelo meu ilustre familiar, um dia ele se cansou e resolveu voltar para o local onde sua mãe passou a vida toda e se fixou no Bonete, provavelmente no terreno que fora de sua mãe eu imagino, onde já vive há quatro anos.

Com vontade de ficar por ali para sempre, eu sabia que tinha que voltar para minha vida e comecei a empacotar as coisas, quando sai o Sr, Eugênio ficou quase sem graça em me cobrar a estadia em seu camping, um sujeito muito bacana.

Passei por toda a praia a caminho da trilha e presenciei alguns aspectos da vida ali muito bacanas, uma pedra no mar, próximo ao rio, mas já a uma distancia onde não da pé, muitos garotos se reúnem e brincam contra as ondas, testando quem é último a ser carregado pelas ondas que nela estouram, na areia alguns homens preparavam redes para a pesca enquanto admiravam o mar e dois ou três turistas aventureiros surfavam as belas ondas.

Na trilha de volta já com tempo de sobra, mas não tanto, pude apreciar as três belas cachoeiras por onde passamos seguindo a trilha que foram também escolhidas para parada de lanche e descanso.

Espero voltar a esse local em breve, apaixonar-se pelo Bonete é garantia de quem visita.

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ANO NOVO A BORDO

No planejamento da viagem de ano novo eu só tinha uma certeza, queria estar no mar, fosse camping, chalé, pousada, o importante era estar no litoral.

Comecei a pesquisar as possibilidades, Trancoso, Ilha Bela, Ilha grande, São Sebastião, todos estavam fora do meu alcance, tudo caríssimo, então pensei que seria muito bom se alguém topasse dividir a despesa do aluguel de um veleiro e comecei a pesquisar os preços, quando vi que era viável fiquei feliz e ansioso para ir logo à Angra, onde consegui reservar um veleiro brasília de 32 pés, chamado Porreta.

Claro, na empolgação todo mundo quer ir, mas depois de contas feitas começou o problema, faltava tripulação. O bom é que dois além de mim confirmaram mesmo que fossemos só os três, o que já viabilizava o passeio de cinco dias, mas par o bem geral, mais dois se uniram à tripulação, eram também os dois mais divertidos do barco.

Barco acertado, compras feitas, todos nos carros, nos dirigimos para Angra dos Reis, seis horas na estrada, quase toda a noite para chegarmos cedo e zarparmos logo para algum paraíso da Baia da Ilha Grande. Quando vimos o barco quase desistimos e voltamos para São Paulo, o que tinha sido reservado para nós era do mesmo modelo, porém a proprietária desistiu de alugar na última hora, então o dono da empresa nos alugou o dele mesmo, que estava parado no Rio de Janeiro sabe-se lá desde quando. Dados computados, conversamos e ele nos deu um desconto que animou a todos.

Píer de desembarque na Marina de Angra

Embarcamos, enquanto dois arrumavam as coisas dentro do barco, eu e outros dois fazíamos os procedimentos para deixar o píer, seguimos para comprar gelo e abastecer o tanque de diesel, o que em Angra se faz sem deixar o barco, em estações na orla ou flutuantes, caso esse que utilizamos.

Chegamos em uma pequena e muito charmosa ilha chamada Itanhangá, onde passamos a primeira noite, que foi bem tranquila e conseguimos dormir sem surpresas apesar de ter apenas uma âncora. Na manhã seguinte tivemos um amanhecer de sol forte, por isso ficamos por ali algumas horas curtindo o local e a ilha vizinha, separada por poucos metros, Paquetá.

Porto de abastecimento do Bracuhy

Como é próximo dali, resolvemos almoçar no Bracuhy, o que foi uma decisão bem acertada, boa comida e ambiente agradável sem ter o preço alto comum da região.

Depois de um gostoso almoço deixamos o Bracuhy com um vento bom de proa, o que nos fez andar em ziguezague, mas rendeu uma velejada bem gostosa. Não tínhamos como medir mas creio que o vento estava próximo dos 15 nós (28Km/h) e os único que tinham velejado ali eram eu e meu irmão, os outros tripulantes se assustaram com o veleiro adernado.

Eu e meu irmão achamos engraçado o medo deles, afinal, eu velejei a primeira vez aos oito anos de idade e meu irmão com a mesma idade, então para nós aquilo tudo era muito natural mas não para os nossos amigos.

Algumas horas depois da saída do Bracuhy um rasgo na valuma da genoa aumentou de tamanho, então resolvemos guardar os panos e usar o motor e nosso sufoco começou, o enrolador da genoa não funcionava bem e acabou travando (coisa que o proprietário tinha advertido que poderia acontecer), então sem pensar muitas vezes pedi ao mais forte dos tripulantes que me ajudasse e enrolar a vela na mão mesmo e o fizemos abrigados do vento atrás da ilha da Gipóia, onde também paramos para dormir, mas dessa vez sem sossego algum. O vento não acalmava e nossa âncora  parecia insuficiente para o barco, o que não dava tranquilidade para dormir, durante a noite mudamos de lugar três vezes devido ao arrasto do barco causado pela força do vento sem que o ferro desse conta de segurar o veleiro. Acabamos por decidir buscar outro abrigo e então tivemos sucesso e dormimos bem.

Na manhã seguinte vi que o baby estai estava solto, o parafuso do esticador já podre de ferrugem estourou, mas externamente parecia estar em bom estado, sendo assim, pensei que os outros estais e brandais estariam ruins ou perigosos, por isso não velejariamos mais, então o resto da viagem foi a motor. Com essa desanimadora notícia, resolvemos ficar nossas duas ultimas noites, inclusive a da virado do ano, ancorados em um lugar seguro e seguimos para a enseada do Abraão, na Ilha Grande, onde encontramos um cantinho super bem protegido do vento e da ondas com fundo de areia e pouca profundidade, que era tudo que precisavamos pois tinhamos uma âncora pequena e pouco cabo para ela.

Ficamos dois dias curtindo a vila do Abraão, o que não e nada mal, visitamos a pé as praias vizinhas, que eram lindas e na volta para Angra resolvemos parar na Lagoa Azul, porém a chuva não dava trégua e com muitos barcos ao redor, resolvemos ir embora, devolver o barco e voltar para São Paulo.

As privações que se sente em um barco já estavam começando a incomodar a maioria, ja tínhamos cinco dias embarcados e nessa hora de incômodo temos que ir embora mesmo para a viagem não ficar chata.

Claro que o estado de conservação e o fato de estar impossibilitado de velajar do barco deu uma desanimada geral, mas foi uma viagem memorável e agradável. Na próxima vez alugaremos um veleiro que possa velejar…

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Saco do Mamanguá

É um lindo lugar que pertence ao município de Parati, Estado do Rio de Janeiro.

Quase todo é área de preservação ambiental com montanhas altas do dois lados e ao fundo um mangue com vários rios de água doce, o que lhe dá águas verdes, porém, turvas para o mergulho devido aos sedimentos de lama.

Uma pequena porção de paraíso, onde a grande maioria de seus habitantes são pescadores e artesãos, que vivem em pequenas comunidades. Na ocasião em que estive lá teve um pequeno festejo na vila onde se concentram em sua maioria dos moradores, mesmo assim não passa de uma pequena comunidade com 500 metros de extensão na beira mar.

Saindo de Parati em direção à ponta da Joatinga, são aproximadamente 16 quilômetros até a entrada do saco do Mamanguá em águas parcialmente abrigadas e um trajeto cheio de belezas, o trajeto é quase tão bonito quanto o proprio lugar do destino.

Os moradores em geral fazem seu comércio em Parati, trocas ou venda, como se fazia antigamente. É um lugar que parou no tempo e permaneceu preservado, as pessoas são receptivas e sorridentes, as praias do saco são bem pequenas mas oferecem bom abrigo para um pernoite. Nas proximidades das praias, um veleiro de calado muito grande teria algum problema para ancorar, a profundidade máxima, que é na entrada do saco, não passa dos 10 metros, talvez por isso tão poucas visitas de grandes embarcações.

Um lugar altamente recomendado para uma passagem em cruzeiro pela costa sul do Rio de Janeiro.

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